Crônicas

Uma Crônica Canina: Entre Cães e Monstros – parte 4

Em que ponto da nossa trajetória como humanas criaturas vamos nos perdendo de nossa essência? 

Em que ponto dessa trajetória viramos bichos, ou melhor, monstros?

Há uma semana, um crime brutal ocorreu em Santa Catarina, a violenta e absurda morte do cachorro Orelha!

Morte cruel, inaceitável e que nos coloca a incômoda e persistente pergunta: o que houve com o humano?

Bestas feras que ignoram a razão e desprezam a vida!

E o mais aterrorizante, a normalização da violência, amplificada e reverberada pelas redes sociais!

Orelha, cão comunitário, vivia na Praia Brava, Florianópolis. Era cuidado por todos e vivia como um bom cão sabe viver: entre brincadeiras, corridas, saltos e lambidas!

De repente, vida interrompida!

De repente, vida estraçalhada por adolescentes!

E aí entram em cena supostos “desafios” em grupos da internet! 

E aí entram em cena adolescentes sem limites e sem qualquer respeito à vida!

Para piorar, a violência também toma conta dos comentários, transformando a internet em tribunal inquisidor! Com ofensas, gritos de ódio e inflamada vingança!

Uma massa de violência para todos os lados! 

Para fechar com a chamada pá de cal, o caso escancara mais um problema: a justiça no Brasil é seletiva! Se você tem dinheiro, terá inúmeras possibilidades e tempo! Se você é pobre, estará preso!

Orelha, coitado, foi mais uma vítima de uma sociedade que adoece a olhos vistos!

Jovens superficiais, vaidosos e certos de que não serão alcançados, cometem atrocidades atrás de atrocidades sem sentir culpa ou responsabilidade!

Trágico! Triste! Doloroso! Indescupável!

Orelha, na sua simplicidade e inocência, é quase uma metáfora de um tempo estranho e louco! 

A brutalidade e a insensibilidade vão esmagando os sonhos e desfigurando o que outrora chamávamos humanidade…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

Um comentário

  1. Mais uma das aberrações desses últimos tempos. O que me chocou ainda mais foi a postura das famílias dos monstros. Está explicado: filho de monstros monstros são.
    Grande abraço, amigo.

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